A curiosidade infantil da farmacêutica Carolina Horta Andrade floresceu em uma carreira científica dedicada à inovação. Professora da Universidade Federal de Goiás (UFG), ela se destaca entre os pesquisadores brasileiros que aplicam a inteligência artificial para revolucionar a descoberta de novos medicamentos, coordenando estudos vitais para o tratamento de doenças que afetam milhões de pessoas no Brasil e no mundo.

Da paixão pela ciência à formação em farmácia

Natural de Formosa, Goiás, Carolina sempre demonstrou um fascínio pela ciência. Ainda criança, simulou a circulação sanguínea em uma feira escolar, um sinal precoce de sua vocação. Inicialmente atraída pela Medicina, ela encontrou no curso de Farmácia a combinação ideal de conhecimentos em química, biologia e saúde, ingressando na UFG.

Durante a graduação, a Química Farmacêutica e Medicinal tornou-se seu foco. Após uma reprovação inicial no mestrado da USP, Carolina persistiu, mudou-se para São Paulo e, com dedicação, garantiu sua vaga, avançando diretamente para o doutorado devido ao seu excelente desempenho acadêmico.

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Modelagem molecular e o nascimento do LabMol

Parte essencial de sua formação ocorreu na Universidade do Novo México, nos Estados Unidos, onde se especializou em modelagem molecular. Esta área inovadora utiliza computadores para analisar a interação entre moléculas e o organismo humano, sendo fundamental para a identificação de potenciais novos fármacos.

Em 2010, ao retornar a Goiás como professora da UFG, Carolina fundou o Laboratório de Planejamento de Fármacos e Modelagem Molecular (LabMol). Ali, a equipe emprega a inteligência artificial para rastrear milhões de compostos químicos, identificando aqueles com maior probabilidade de se tornarem medicamentos eficazes.

Acelerar a descoberta de medicamentos com inteligência artificial

A tecnologia no LabMol permite prever com precisão:

  • Como uma molécula agirá contra vírus, bactérias e parasitas.
  • Possíveis efeitos tóxicos e o comportamento da substância no organismo.

Com isso, apenas as substâncias mais promissoras são encaminhadas para testes laboratoriais. Esse processo otimizado resulta em uma significativa redução de custos, encurta o tempo de pesquisa e minimiza a quantidade de experimentos necessários para a descoberta de medicamentos.

As pesquisas iniciais do grupo focaram em doenças tropicais negligenciadas, como tuberculose, leishmaniose, malária e doença de Chagas. Mais recentemente, o escopo se expandiu para incluir doenças virais, como dengue, Zika e Covid-19, demonstrando a versatilidade da abordagem.

Reconhecimento e projetos futuros

O impacto do trabalho de Carolina Horta Andrade foi amplamente reconhecido. Em 2014, ela recebeu o prestigiado prêmio Para Mulheres na Ciência, da L'Oréal, UNESCO e Academia Brasileira de Ciências. No ano seguinte, foi agraciada com o International Rising Talents em Paris, um reconhecimento global a jovens cientistas de destaque.

Além da descoberta de medicamentos, a farmacêutica lidera um projeto pioneiro que visa integrar o olfato em ambientes de realidade virtual. Esta iniciativa multidisciplinar combina inteligência artificial, engenharia, química e Farmácia, prometendo experiências imersivas ainda mais sensoriais.

Carolina também é uma voz ativa no incentivo à participação feminina na ciência. Para ela, a presença de mulheres na pesquisa é crucial para expandir o conhecimento e desenvolver soluções inovadoras para os complexos desafios da saúde.

A formação farmacêutica como pilar da inovação

A trajetória de Carolina Horta Andrade exemplifica como a formação em Farmácia é um alicerce fundamental para a inovação científica. Sua expertise na área foi determinante para que se tornasse uma referência na aplicação da inteligência artificial na descoberta de medicamentos, mostrando o vasto potencial da ciência brasileira para transformar a saúde global.

FONTE/CRÉDITOS: CFF