A constante falta de insumos no Hospital Walfredo Gurgel, maior unidade de saúde pública do Rio Grande do Norte, tem comprometido a assistência prestada à população e dificultado a rotina dos profissionais nesta semana. O alerta foi emitido pelo presidente do Conselho Regional de Farmácia (CRF/RN), Joselito Rangel, ressaltando que o desabastecimento não é um problema recente na instituição.

Impacto na assistência e fiscalização urgente

Segundo o CRF/RN, relatórios de profissionais confirmam a escassez diária de medicamentos e materiais básicos de trabalho. Diante disso, o órgão agendou uma inspeção na unidade para esta terça-feira (25). O objetivo é produzir um relatório oficial que será encaminhado à Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap/RN) e ao Ministério Público do Estado (MPRN).

O Conselho Regional de Medicina (Cremern) também manifestou preocupação com o cenário. A entidade cobra da Sesap e dos demais responsáveis a adoção de medidas imediatas para regularizar o abastecimento e garantir condições adequadas e seguras de trabalho aos médicos.

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Nas dependências da unidade, usuários e acompanhantes relatam problemas estruturais que vão além dos insumos, incluindo superlotação nos corredores, falhas nos elevadores e escassez de macas adequadas.

Estoque crítico e materiais em falta

Um levantamento interno da Divisão de Farmácia da unidade apontou que a falta de insumos no Hospital Walfredo Gurgel atingiu um nível alarmante, registrando desabastecimento total de 189 itens — o equivalente a 25% de todo o catálogo do hospital. Outros 11% do estoque estão em estado crítico, com fornecimento garantido para menos de um mês.

Entre os produtos afetados pela crise de abastecimento, destacam-se itens essenciais para o socorro diário:

  • Luvas de procedimento, agulhas e seringas;
  • Esparadrapos e gazes;
  • Antibióticos e soro fisiológico;
  • Medicamentos de emergência, como sedativos e noradrenalina.

Posicionamento da Sesap e cobrança judicial

Em resposta, o titular da Sesap/RN, Alexandre Motta, afirmou que o Estado já adota providências para recompor o estoque. Segundo o secretário, 37 produtos já estão empenhados com entrega prevista em até 15 dias, 89 estão em processo de pregão e 18 itens chegaram recentemente à unidade, incluindo soro e luvas.

Motta declarou que crises de abastecimento são parte da dinâmica da saúde pública e atribuiu as dificuldades financeiras à queda na arrecadação do ICMS em 2024. Para mitigar os impactos, a gestão tem realizado remanejamentos de materiais entre os 22 hospitais da rede estadual e garante que as cirurgias de urgência continuam sendo realizadas.

A situação também é acompanhada pela Justiça. Uma decisão da 5ª Vara da Fazenda Pública de Natal determinou que o Governo do Estado comprove a situação atualizada do abastecimento e o andamento dos processos licitatórios para regularizar os insumos em falta na rede hospitalar.

FONTE/CRÉDITOS: Tribuna do Norte